Poluição luminosa e vida selvagem
O relógio biológico e o ritmo circadiano
Os animais e as plantas vivem de acordo com um ritmo que está sincronizado com o ciclo de 24 horas do nosso planeta (ritmo circadiano). Esta é uma característica hereditária, que é transmitida através dos genes de uma espécie.
Os humanos podem sentir uma alteração no seu ritmo circadiano quando viajam de avião entre zonas com diferentes fusos horários. Esta alteração é caracterizada por sonolência, letargia ou uma sensação geral de que algo não está bem. Os comportamentos dos animais também são alterados quando estão expostos a demasiada luz artificial durante a noite (poluição luminosa).
Os comportamentos relacionados com o acasalamento, a migração, o sono e a procura de comida são determinados pela duração da noite, pelo que a poluição luminosa perturba negativamente estes comportamentos.
Mamíferos
As luzes intensas das cidades e vilas prejudicam os mamíferos em todo o mundo, através da perda do seu ecossistema noturno. Exemplos de mamíferos afetados são os morcegos, guaxinins, coiotes, veados e alces. Estas espécies podem estar sujeitas:
- A um declínio na reprodução, levando à diminuição da população;
- À dificuldade em encontrar alimento, devido à luminosidade excessiva;
- À exposição a predadores que de outra forma seriam incapazes de os ver;
- A um aumento na mortalidade, causado pelo enfraquecimento da visão.
Aves
Muitas espécies de aves migram ou caçam durante a noite. Esta dependência da escuridão torna-as extremamente vulneráveis às luzes intensas em zonas que são naturalmente escuras. As aves podem ser atraídas para as fontes luminosas e ficar fixadas no feixe de luz. Esta desorientação causa uma variedade de efeitos negativos, tais como:
- Todos os anos morrem cerca de 100 milhões de aves na América do Norte em colisões com edifícios e torres iluminados;
- Não querendo voar novamente para as zonas mais escuras, continuam a voar em direção ao holofote até estarem exaustas, caírem ou encontrarem um predador;
- As luzes artificiais podem ainda levar as aves migratórias a sair da sua rota, não chegando ao seu destino natural;
- As aves marinhas colidem com os faróis, turbinas eólicas e plataformas flutuantes no mar.
Anfíbios
O brilho do céu noturno estende-se muito para além das fronteiras de uma área urbana, tendo impactos no ambiente por muitos quilómetros, incluindo nas zonas húmidas que são o habitat natural dos anfíbios. Este brilho leva os anfíbios e outras criaturas dos pântanos a ficarem confusos e desorientados, causando:
- Uma diminuição na reprodução, resultando em populações reduzidas;
- Diminuição da exploração pela comida e um peso corporal reduzido;
- Confusão dos instintos naturais que protegem contra os predadores e os elementos.
Répteis
Os répteis são fortemente afetados pela poluição luminosa. Por exemplo, as tartarugas marinhas gostam de criar os seus ninhos em praias remotas e muito escuras. As luzes costeiras interferem na sua habilidade de encontrar áreas de nidificação seguras para os seus ovos.
As crias arrastam-se por instinto em direção à segurança do oceano devido à luminosidade causada pelo reflexo da lua e das estrelas na água. Durante séculos, este reflexo foi o ponto de luz mais brilhante da praia. As luzes artificiais podem confundir as crias e levá-las a rastejar para longe do oceano na direção das estradas ou das comunidades. Se não encontrarem o seu caminho de volta para o oceano, podem ficar exaustas ou desidratadas e morrer.
Os répteis noturnos podem ainda ficar desorientados pelas luzes artificiais que invadem os seus habitats e sofrer alterações nos seus comportamentos naturais, tais como:
- Diminuição do apetite, resultando numa diminuição do peso;
- Diminuição no acasalamento, resultando numa diminuição das populações;
- Aumento da vulnerabilidade a predadores naturais, carros e humanos.
Insetos
Traças e outros insetos são atraídos para as luzes artificiais e podem ficar perto destas a noite toda. Esta atividade em torno da luz:
- Gasta demasiada energia e interfere com o acasalamento e a migração, causando a diminuição das populações de insetos;
- Torna-os uma presa fácil para morcegos e outros predadores noturnos, reduzindo ainda mais o seu número;
- Afeta todas as espécies que se alimentam de insetos, como as rãs, e que dependem da polinização realizada pelos insetos.
Soluções para reduzir o impacto da luz artificial durante a noite
- Proteja a sua iluminação exterior. Uma luz protegida deve ter uma potência menor, pelo que consome menos energia e poupa dinheiro;
- Ligue a luz somente quando for necessário;
- Desligue a luz sempre que puder;
- Utilize temporizadores e reguladores de luminosidade;
- Utilize apenas a luz necessária para realizar o seu trabalho;
- Utilize luzes de maior comprimento de onda, com tonalidade vermelha ou amarela, para minimizar o impacto no ambiente;
- Trabalhe com os seus vizinhos e governantes locais para manter os céus naturais. Esta é uma situação vantajosa para todos!
Fonte: http://www.darksky.org/assets/documents/ida_wildlife_brochure.pdf